600 g de vitalidade

É doloroso e ao mesmo tempo profundamente emocionante olhar para um bebé muito prematuro. Um mini ser humano, pouco maior que uma mão adulta e mais leve que uma embalagem de farinha. Doloroso, porque se assiste à vida na sua fragilidade imensa. Porque se projectam todos os nossos medos naquela pequena figura. Porque nos recorda como tudo é tão passageiro. Emocionante, porque apesar de tudo isso há ali um fantástico ser mínimo que esbraceja e esperneia, como se fosse o maior lutador.  Porque está ali alguém que, mesmo nunca tendo visto o nosso mundo maravilhoso para além da incubadora, luta por ficar. Porque ali está um manancial de esperança infinita.
Perdemos muito tempo a esquecermos-nos do imenso valor e beleza da vida. Muito tempo a remoer passados infelizes e a não aproveitar as dádivas constantes do presente. Muito tempo a duvidar dos nossos sonhos e a construir muros. Mas o que aquelas simples 600g nos recordam é o quão inestimável é a vida para a desperdiçarmos com aquilo que não nos preenche. Quanto nos devemos manter na luta por ser felizes, por ver os nossos sonhos cumpridos, por nos assumirmos lideres do nosso destino. “Por tudo o que existe, e o que resiste, e por tudo o que ainda há-de vir, nós ainda estamos aqui”
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Perpétuo Movimento

É interessante a experiência de estar parado enquanto tudo à nossa volta é movimento. Sentada numa cadeira de aeroporto, à espera de um voo de ligação, ocupei parte do meu tempo a analisar esta dinâmica. Um corropio de pessoas foi-se movendo à minha frente: algumas com um destino claramente definido, outras com um ar mais perdido; algumas a alta velocidade, outras com um passo mais lento; umas com expressão de felicidade e tranquilidade, outras parecendo mais ansiosas e preocupadas. Mantive-me quieta, meia imune a todo este frenesim, mas apreciando-o. Há alturas em que a vida nos pede muita actividade e muito movimento. Há alturas em que a vida nos consome o tempo e avança a alta velocidade. E há outros momentos em que nos convida a estar mais resguardados, a saborear internamente o desenrolar do tempo, em atitude de contemplação e de reorganização interior. E todos estes momentos compõe a maravilha que é viver, tanto os momentos de reboliço, como os de tranquilidade. Tanto os momentos de certezas bem definidas, como aqueles tão indefinidos que parecem pintar um arco-íris de cinzentos. Tanto os momentos em que o nosso coração saltita de alegria e energia, como os momentos em que somos habitados por uma nuvem negra. A única certeza que nos pode servir de guia é que a vida se move por ondas e tudo passa, só precisamos de a deixar desenrolar-se, respeitando a velocidade certa de cada momento.

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Ode às Sementes

Penso que uma das sensações que mais me conforta é a do cheiro que frutos tostados no forno libertam pela casa. Esta receita tem esse efeito. Em dias frios de Inverno, em que o aconchego caseiro é tudo o que se deseja, nada melhor que potenciar esse aconchego, perfumando a casa com o cheiro de pão fresco. E, naturalmente, juntar todos à mesa para um lanche simples, delicioso e saudável, cheio de sementes crocantes e nutritivas.

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Pão rico em Sementes

Inspiração: My New Roots

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  • 135g sementes de girassol
  • 90g sementes de linhaça
  • 65g nozes
  • 145g farelo de aveia
  • 2 c. sopa sementes de chia
  • 3 c. sopa psílio em pó
  • Sal
  • 1 c. sopa mel
  • 1 c. sopa óleo de côco
  • 350 mL água

Combinar bem todos os ingredientes secos. Numa taça, misturar o mel, óleo de côco e água. Juntar aos ingredientes secos e misturar bem até ficar uma massa seca. Deixar repousar pelo menos 2h.

Pré-aquecer o forno a 180ºC e forrar uma forra rectangular com papel vegetal.

Colocar a massa na forma e levar ao forno durante 20 min. Remover o pão da forma e colocá-lo novamente e “de pernas para o ar” directamente na grelha. Assar durante mais cerca de 30 min (deverá fazer um som oco, quando bater). Deixar arrefecer completamente antes de cortar.

Bom apetite!!

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“Inserir destino final”

Lembro-me das nossas viagens em família pela Europa fora, numa época ainda pré-GPS, guiados apenas por mapas e por indicações nas estradas. Não me recordo de termos andado verdadeiramente perdidos, mas lembro-me de, por vezes, darmos umas boas voltas até chegarmos ao local pretendido. Na semana passada, confiei no meu GPS para me guiar até um sítio para mim desconhecido. Claro que o obriguei a recalcular o percurso várias vezes e acabei por dar mais umas voltinhas que as necessárias. Mas não andei perdida, tinha o meu destino bem traçado, sabia onde queria chegar. A nossa vida não foge a este esquema. Se tivermos o nosso horizonte bem definido e mantivermos os olhos nele focados, não há forma de nos perdermos. Podemos andar às voltas, sentirmo-nos absorvidos e afogados pelas complexidades dos inúmeros problemas com que somos confrontados diariamente, mas há uma linha condutora que nos guia e que nos pode ir sempre aproximando daquilo que queremos para a nossa vida, mesmo que por vezes tenhamos a sensação que andamos bem distantes dela. Enquanto crianças acreditamos que essa linha é formada pelos nossos sonhos, ao crescermos envergonhamo-nos desta nossa capacidade de sonhar e passamos a chamar-lhe valores e objectivos de vida. No entanto, parece-me que se nos agarrássemos mais à ideia de sonho, mais facilmente acreditávamos na possibilidade do impossível e colocaríamos menos barreiras a trabalhar por aquilo que queremos ver projectado no nosso amanhã.  É imperioso continuarmos a questionarmos-nos frequentemente e sem medo sobre qual o destino que queremos inserir no nosso GPS, pois vai ser ele que vai nortear as nossas decisões e vai dar sentido aos nossos investimentos de tempo e de energia. E, sobretudo, vai dar significado aos caminhos que tivermos que percorrer, por vezes mais longos ou mais difíceis que o esperado, mas sempre guiados pela chama de um sonho que nos pertence.

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Bolo de Beterraba e Chocolate

Estamos habituados à rotina, a preferir os caminhos que já conhecemos bem e a estranhar e evitar o que foge do habitual, correndo o risco de não nos deixarmos surpreender pela novidade. Neste bolo entra em destaque a beterraba, um convidado pouco frequente na doçaria tradicional e que mais facilmente desperta um franzir de sobrolho que algum tipo de entusiasmo ou curiosidade. Mas acreditem que vale a pena experimentar. A beterraba oferece uma textura húmida ao bolo de chocolate, sem o pretensiosimo de se querer sobrepor ao ouro dos incas, mas antes dota-o de uma maior profundidade. Surpeendam-se e deliciem-se!

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Bolo de Beterraba e Chocolate

Para cozinhar a ouvir com: 🎵🎵🎵

(Adaptado de “Vegetariano todos os dias – Green Kitchen Stories”, David Frienkiel e Luise Vindahl)

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  • 90 mL de azeite
  • 120 mL mel
  • 50g chocolate negro (min 70%), em pedaços
  • 250 g beterraba crua, ralada
  • 3 ovos
  • 200 g farinha de aveia
  • 2 c. chá fermento em pó
  • 5 c. sopa de cacau em pó
  • 1 pitada de sal
  • Nozes e pepitas de cacau puro (opcional, a gosto)

Pré-aquecer o forno a 180ºC e forrar uma forma de bolo inglês com papel vegetal.

Aquecer o azeite numa caçarola em lume brando. Juntar o mel e o chocolate e mexer até derreter. Retirar do lume e envolver a beterraba ralada.

À parte, bater os ovos e, depois, juntar à caçarola.

Peneirar a farinha e o cacau para a mistura de beterraba e envolver. Juntar o fermento em pó, o cacau, sal, as nozes e as pepitas de chocolate.

Deitar na forma e levar ao forno durante 20-30 min.

Deixar arrefecer antes de desenformar.

Bon appétit!

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Caminho de voltar

Aprendemos que o caminho se faz andando em frente, mas na verdade muitas vezes só se consegue fazê-lo voltando para trás. Há uns dias fui percorrer um pequeno trilho em direcção a uma queda de água, com o principal objectivo de fotografar a luz e as cores do outono. O percurso de ida foi agradável pelo silêncio, apenas preenchido pelo chilrear dos pássaros, pela companhia do curso de água e pela sempre boa sensação que é atingir um objectivo. Contundo, esperava cores de outono mais vibrantes e não tons de castanho a gritar a seca. O caminho de voltar pemitiu-me saborear a paisagem com uma nova luz e conseguiu preencher-me o coração. Foi exactamente o mesmo trilho, mas possivelmente os meus olhos estavam mais preparados para contemplar a natureza, tal como ela é. Demorei mais tempo a regressar, estive mais tempo simplesmente parada a admirar a envolvência e a procurar capturar da forma mais fiel possível estes breves momentos. Lembrei-me que na vida, por vezes, é preciso retroceder uns bons passos para que sejamos inundados por alguma claridade e possamos dar o real valor não só ao presente, mas ao próprio passado. Só olhando para trás é possível recordar conscientemente as maravilhas com que vamos sendo presenteados e, assim, caminhar confiadamente em direcção ao futuro

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Amar um mundo perfeitamente imperfeito

“He looked around, as if he was seeing the world for the first time. Beautiful was the world, colourful was the world, strange and mysterious was the world! Here was blue, here was yellow, here was green, the sky and the river flowed, the forest and the mountains were rigid, all of it was beautiful, all of it was mysterious and magical, and in its midst was he, Siddhartha, the awakening one, on the path to himself.”

{Hermann Hesse, Siddhartha}