Lisboa que anoitece

A noite é cega, as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse a mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece

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Banda sonora: Lisboa que amanhece

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Bolo de Chocolate e Requeijão

Todos os dias são ocasião de celebrar. Afinal conseguimos vencer este jogo de ínfimas probabilidades que é a vida e continuar a respirar, sentir, pensar e com o coração a bater. No entanto, o ritmo acerelado que nos é imposto pelo mundo que à nossa volta nem sempre nos permite parar e dar graças por todas estas pequenas mas extraordinárias coisas.

Este bolo foi isso mesmo, a celebração da nossa vida, da nossa família, dos nossos sucessos, de tudo aquilo que nos rodeia.

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Bolo de Chocolate e Requeijão 

(Inspiração: Ananás e Hortelã)

Ingredientes

4 ovos
1 chávena de açúcar mascavado
raspa de 1 limão
100 gr de chocolate preto
1/3 chávena de água
2 colheres (sopa) de cacau em pó
25 gr de manteiga
3/4 chávena de requeijão
125 gr nozes
75 gr farinha


Preparação
Pré-aquecer o forno a 180ºC e preparar uma forma redonda com papel vegetal. Numa taça colocar os ovos, o açúcar e a raspa de limão e bater bem.

Levar ao lume um tacho com chocolate em pedaços, a água, o cacau e a manteiga até derreter. Retirar, deixar arrefecer ligeiramente e juntar à massa, mexendo bem.
Por fim, incorporar o requeijão, as nozes e a farinha, mexendo até a massa ficar homogénea.
Colocar a massa na forma e levar ao forno até cozer (cerca de 25 min). Desenformar e polvilhar com açúcar em pó.

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O bolo fica com uma textura semelhante a cheesecake e a combinação do chocolate com limão é pouco usual, mas muito agradável. Foi um sucesso aqui em casa, com direito a entrada directa para o grupo dos melhores bolos de chocolate de sempre!
Bom Apetite!

Pigmaleão e os Sonhos

Pigmaleão e os Sonhos

Pigmaleão era um escultor da Grécia antiga. Vivia imerso no seu trabalho, esculpindo em casa fantásticas obras de arte. O comportamento indecente das mulheres de Chipre horrorizava-o. No entanto, como não era indiferente à beleza feminina. Assim, um dia decidiu esculpir a sua própria ideia de uma mulher perfeita. A figura era de uma beleza tão grande, trabalhada com tanta arte e parecia tão viva, que se enamorou por ela e lhe chamou Galatéia.
Um dia foi a um festival em honra da deusa do amor e da beleza, Afrodite, e pediu-lhe que lhe permitisse encontrar uma mulher igual a Galateia. A deusa ficou curiosa e, antes de Pigmaleão voltar a casa, passou por lá e ficou maravilhada quando viu a sua obra de arte. Assim, em vez de lhe encontrar uma mulher igual a Galateia, decidiu dar-lhe vida.
Pigmaleão voltou para casa e encontrou Galateia viva, tal como um ser humano, ficando naturalmente em êxtase.

As nossas expectativas e percepção da realidade influenciam a forma como nos relacionamos com a mesma: redefinimos a realidade de acordo com as nossas expectativas em relação a ela. A nossa vida é uma profecia auto-realizável, somos nós que fazemos a profecia e nós que a fazemos acontecer. Portanto, o importante é abrir asas e voar, pensar mais além e seguir o nosso próprio vento. Pouco interessa se no caminho as asas nos atraiçoem e caiamos, porque na verdade quando voltamos a olhar para trás, aquilo que fica é a doce recordação dos momentos que passámos lá no alto.

Bolo-merengado de Frutos vermelhos

Chegou a Primavera com toda a sua pujança!  Quer dizer,  pelo menos já há mais do que uma andorinha a rasgar o céu.

Assim sendo, nada faz mais sentido do que um bolo ultra leve, cheio de cor e vida, que não me façam sentir culpada pela ingestão destas magníficas calorias.

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Massa

  1. Separa as gemas das claras e mistura as gemas com o açúcar e o açúcar baunilhado, numa taça redonda, até ficar espumoso. Coloca as claras no frigorífico, para serem depois usadas no merengue.
  2. Deita o leitinho com a manteiga numa caçarola e aquece até ferver.  Depois, mexendo sempre, adiciona à mistura anterior.
  3. Junta a farinha e o fermento e mistura bem.
  4. Unta uma forma (à forma antiga com manteiga+farinha+pancadinhas ou com papel anti-aderente) e enche com a massa. Coloca no forno a 180ºC, durante cerca de 20 minutos. Retira  e deixa arrefecer.

Espera! Não comeces a comer o bolo, porque ainda vem aí o paraíso…

Merengue

  1. Junta as claras, uma pitada de sal e o açúcar e bate até estarem cremosas. Adiciona, depois, a farinha maisena e voltar a bater durante 1 minuto.
  2. Lava os frutos vermelhos. Envolve metade delicadamente nas claras em castelo e espalha a mistura por cima da massa, feita anteriormente. Deita os restantes frutos vermelhos por cima do merengue.
  3. Leva ao forno, com o calor apenas na parte de cima, a 220ºC, durante 15 minutos. Retira do forno e deixa arrefecer.
  4. Polvilha com açúcar em pó. Agora sim, saboreia como se não houvesse amanhã!

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Domingo, 12 de Maio de 2013 – Take C

Domingo, 12 de Maio de 2013 - Take C

Hoje não me vou sentar à beira do rio, o Reno vai ficar do lado de lá da janela. Mas os livros vão-me fazer companhia, não há nada como uma bela tarde de domingo caseira para estudar! Oh life!

Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis, in “Odes”