“Inserir destino final”

Lembro-me das nossas viagens em família pela Europa fora, numa época ainda pré-GPS, guiados apenas por mapas e por indicações nas estradas. Não me recordo de termos andado verdadeiramente perdidos, mas lembro-me de, por vezes, darmos umas boas voltas até chegarmos ao local pretendido. Na semana passada, confiei no meu GPS para me guiar até um sítio para mim desconhecido. Claro que o obriguei a recalcular o percurso várias vezes e acabei por dar mais umas voltinhas que as necessárias. Mas não andei perdida, tinha o meu destino bem traçado, sabia onde queria chegar. A nossa vida não foge a este esquema. Se tivermos o nosso horizonte bem definido e mantivermos os olhos nele focados, não há forma de nos perdermos. Podemos andar às voltas, sentirmo-nos absorvidos e afogados pelas complexidades dos inúmeros problemas com que somos confrontados diariamente, mas há uma linha condutora que nos guia e que nos pode ir sempre aproximando daquilo que queremos para a nossa vida, mesmo que por vezes tenhamos a sensação que andamos bem distantes dela. Enquanto crianças acreditamos que essa linha é formada pelos nossos sonhos, ao crescermos envergonhamo-nos desta nossa capacidade de sonhar e passamos a chamar-lhe valores e objectivos de vida. No entanto, parece-me que se nos agarrássemos mais à ideia de sonho, mais facilmente acreditávamos na possibilidade do impossível e colocaríamos menos barreiras a trabalhar por aquilo que queremos ver projectado no nosso amanhã.  É imperioso continuarmos a questionarmos-nos frequentemente e sem medo sobre qual o destino que queremos inserir no nosso GPS, pois vai ser ele que vai nortear as nossas decisões e vai dar sentido aos nossos investimentos de tempo e de energia. E, sobretudo, vai dar significado aos caminhos que tivermos que percorrer, por vezes mais longos ou mais difíceis que o esperado, mas sempre guiados pela chama de um sonho que nos pertence.

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Bolo de Beterraba e Chocolate

Estamos habituados à rotina, a preferir os caminhos que já conhecemos bem e a estranhar e evitar o que foge do habitual, correndo o risco de não nos deixarmos surpreender pela novidade. Neste bolo entra em destaque a beterraba, um convidado pouco frequente na doçaria tradicional e que mais facilmente desperta um franzir de sobrolho que algum tipo de entusiasmo ou curiosidade. Mas acreditem que vale a pena experimentar. A beterraba oferece uma textura húmida ao bolo de chocolate, sem o pretensiosimo de se querer sobrepor ao ouro dos incas, mas antes dota-o de uma maior profundidade. Surpeendam-se e deliciem-se!

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Bolo de Beterraba e Chocolate

Para cozinhar a ouvir com: 🎵🎵🎵

(Adaptado de “Vegetariano todos os dias – Green Kitchen Stories”, David Frienkiel e Luise Vindahl)

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  • 90 mL de azeite
  • 120 mL mel
  • 50g chocolate negro (min 70%), em pedaços
  • 250 g beterraba crua, ralada
  • 3 ovos
  • 200 g farinha de aveia
  • 2 c. chá fermento em pó
  • 5 c. sopa de cacau em pó
  • 1 pitada de sal
  • Nozes e pepitas de cacau puro (opcional, a gosto)

Pré-aquecer o forno a 180ºC e forrar uma forma de bolo inglês com papel vegetal.

Aquecer o azeite numa caçarola em lume brando. Juntar o mel e o chocolate e mexer até derreter. Retirar do lume e envolver a beterraba ralada.

À parte, bater os ovos e, depois, juntar à caçarola.

Peneirar a farinha e o cacau para a mistura de beterraba e envolver. Juntar o fermento em pó, o cacau, sal, as nozes e as pepitas de chocolate.

Deitar na forma e levar ao forno durante 20-30 min.

Deixar arrefecer antes de desenformar.

Bon appétit!

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