600 g de vitalidade

É doloroso e ao mesmo tempo profundamente emocionante olhar para um bebé muito prematuro. Um mini ser humano, pouco maior que uma mão adulta e mais leve que uma embalagem de farinha. Doloroso, porque se assiste à vida na sua fragilidade imensa. Porque se projectam todos os nossos medos naquela pequena figura. Porque nos recorda como tudo é tão passageiro. Emocionante, porque apesar de tudo isso há ali um fantástico ser mínimo que esbraceja e esperneia, como se fosse o maior lutador.  Porque está ali alguém que, mesmo nunca tendo visto o nosso mundo maravilhoso para além da incubadora, luta por ficar. Porque ali está um manancial de esperança infinita.
Perdemos muito tempo a esquecermos-nos do imenso valor e beleza da vida. Muito tempo a remoer passados infelizes e a não aproveitar as dádivas constantes do presente. Muito tempo a duvidar dos nossos sonhos e a construir muros. Mas o que aquelas simples 600g nos recordam é o quão inestimável é a vida para a desperdiçarmos com aquilo que não nos preenche. Quanto nos devemos manter na luta por ser felizes, por ver os nossos sonhos cumpridos, por nos assumirmos lideres do nosso destino. “Por tudo o que existe, e o que resiste, e por tudo o que ainda há-de vir, nós ainda estamos aqui”

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