Escondido na Brisa

É interessante reparar como as folhas das árvores e mesmo as mais pequeninas flores se balançam alegremente com a mais discreta brisa, aquela que muitas vezes nos passa despercebida. Na maior parte das vezes, esquecemo-nos de saborear este leve sopro, do conforto que é baloiçar ao seu ritmo, e esperamos pelos ventos mais fortes, os que já incomodam, para nos fazermos conscientes da sua presença.

Gosto de fazer o exercício matinal de olhar para o céu e, no caminho para o trabalho, procurar sempre maravilhar-me pela beleza que se esconde em tudo aquilo que me rodeia, sobretudo naqueles dias em que sinto o coração mais delicado. É fácil apreciar a sublimidade divina nos dias em que a alegria do sol reveste tudo, mas também é possível procurá-la na expressividade dos céus cinzentos de chuva, que tantas vezes correspondem a um espelho daquilo que se vai passando no nosso interior. Gosto de olhar para a natureza e ver como vai respondendo e se vai adaptando às mudanças do tempo, como incentivo a que também eu me vá ajustando com essa suave harmonia ao passar do tempo e das fases na minha vida. Gosto de nas noites mais profundas poder descobrir um céu pontuado por infinitas estrelas ou uma lua cheia gigante que engole toda a escuridão. Gosto de correr ao ar livre ao fim do dia, da possibilidade que isso me abre de me deixar envolver pelo calor do sol e de me fortalecer com o abraço do vento.

Há sempre problemas para resolver, momentos de tristeza para digerir e momentos em que simplesmente tudo parece sair completamente ao lado daquilo que se projecta. Mas a serenidade que estes breves pontos de gratidão me permitem encontrar ajuda a que a recuperação dessas alturas de maior desolação seja mais tranquila. No fim de contas, aquilo que todos no fundo desejamos é sermos felizes e o fundamental é ir fazendo as escolhas que mais nos vão aproximando disso, com a plena consciência que é uma estrada tortuosa e não um caminho fácil.

“Começa por fazer o que é necessário, depois o que é possível e de repente estarás a fazer o impossível”

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Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

E. E. Cummings, in “livrodepoemas”
Tradução de Cecília Rego Pinheiro

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Tarte de Figos e Mel

Setembro chegou e, com ele, os dias mais curtos, as noites mais frias, os tons alaranjados da folhagem, as colheitas de maçãs, figos, mel e uvas. Setembro é o mês do novo ano escolar, ano esse que já não rege o meu calendário. No entanto, tal como nos anos em que tal acontecia, sinto que é um mês que convida à introspecção. Talvez por se aproximar a altura de tomar grandes decisões sobre o meu futuro, a minha calma natural é inundada por um turbilhão de ideias e emoções, o mesmo carrossel que me invadia nos inícios dos anos lectivos. Infelizmente parece que a idade e o tempo não trazem consigo certezas absolutas, aliás apenas aumentam a minha dificuldade de decisão ao me mostrarem que o meu caminho para ser feliz pode ser por estradas bem diferentes umas das outras. Isto de tomar decisões sobre a vida é um processo por vezes demasiado egocêntrico para mim: O que quero? O que é melhor para mim? O que é mais importante para mim? Como quero o meu futuro? Enfim… anseio pelo dia em que possa olhar para trás e rir-me da minha capacidade de indecisão e de fragmentar um problema em milhões deles.

“Só quem nunca pensou chegou alguma vez a uma conclusão. Pensar é hesitar. Os homens de acção nunca pensam.” (Fernando Pessoa)

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Tarte de Figos e Mel

Pâtisserie Magique

Base: 200g bolacha triturada, 80g manteiga derretida

Recheio: 3 gemas, 3 claras em castelo, 50g açúcar em pó, 70g mel, 250g queijo tipo Philadelphia magro, 70g farinha, 1 c. chá canela em pó, 200g figos frescos.

  • Pré-aquecer o forno a 150ºC. Preparar uma forma de 22cm de diâmetro.
  • Preparar a base: Misturar bem os ingredientes até formar uma massa. Pressionar na forma. Levar ao forno durante cerca de 10min, até dourar.
  • Bater as gemas. Juntar progressivamente o açúcar, mel, queijo, farinha e canela.
  • Incorporar as claras em castelo.
  • Dispor os figos cortados em quartos na base e verter o recheio sobre a base.
  • Levar ao forno durante cerca de 60min.
  • Deixar arrefecer, desenformar, glacear com um fio de mel e polvilhar com canela.

Bom apetite!!

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Queques de Morango e Côco

Penso que os queques devem ter sido a minha primeira paixão na cozinha. Durante algum tempo guardei inúmeras receitas, experimentei algumas, salivei por outras. No entanto, como em tudo, aquilo que é excessivo começa a enjoar e facilmente passa para o esquecimento. E foi mesmo isso que aconteceu com os queques. Voltaram agora através do novo (e fantástico) livro da Donna Hay e do desejo de preparar algo rápido e saboroso para um lanche de fim-de-semana. Digamos que foi, sem dúvida, um bom regresso. Garanto que não vou entrar novamente na mesma loucura de me focar apenas nestes pequenos bolinhos, agora aquilo que mais me dá prazer na cozinha é mesmo a diversidade.

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Queques de Morango e Côco

Inspiração: Donna Hay, The New Classics

Ingredientes: 300g farinha peneirada, 2 c. chá fermento em pó, 165g açúcar, 1 chávena iogurte, 2 ovos, raspa de 1 limão, 1 c. chá extracto de baunilha, 80mL óleo, 150g morangos em cubos, 50g côco ralado

  • Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar um tabuleiro para 12 queques com papel vegetal.
  • Bater a farinha com o fermento e o açúcar.
  • À parte misturar o iogurte, ovos, raspa de limão, baunilha e óleo.
  • Juntar a mistura de iogurte à de farinha e combinar.
  • Incorporar os morangos e o côco.
  • Dividir a massa pelas 12 formas . Polvilhar com mais algum côco.
  • Levar ao forno durante cerca de 20min.

Bom apetite!!

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Bolo para o Café

Caramelo, café e fim-de-semana. Parece-me impossível não gostar desta combinação! O inebriamento começa logo durante a cozedura, quando o caramelo se começa a espalhar por todas as divisões da casa. Felizmente não é necessário muito tempo no forno e, portanto, a tortura olfactiva é de curta duração e, rapidamente, podemos experimentar com todos os sentidos a maravilha que são estes quadradinhos. Um excelente extra para uma tarde caseira de domingo.DSC_0399 DSC_0409

Streuselkuchen

Streusel: 90g manteiga (em cubos), 150g farinha, 1/2 c. chá fermento, 100g açúcar amarelo

Caramelo: 100g açúcar, 1/2 c. chá café instantâneo

Massa do bolo: 100g manteiga, 225g açúcar amarelo, 4 ovos, 225g farinha, 1/2 c. chá fermento, 50mL café espresso frio, 1 c. chá café instantâneo, 2 c. sopa café de cevada

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  • Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar um tabuleiro fundo (30×35 cm) com papel vegetal. Forrar um segundo tabuleiro com papel vegetal.
  • Caramelo: colocar o açúcar num pequeno tacho, polvilhar com água e levar a lume forte. Agitar suavemente, mas não mexer. Quando ficar dourado, polvilhar com o café e, depois, verter no segundo tabuleiro. Deixar arrefecer e endurecer.
  • Streusel: Colocar a manteiga, farinha, fermento e açúcar numa tigela. Esfregar entre os dedos até formar pequenas migalhas. Guardar no frigorífico.
  • Bolo: Bater a manteiga com açúcar até obter uma massa esbranquiçada. Juntar os ovos, um a um. Incorporar a farinha e o fermento. Adicionar o espresso, café instantâneo e café de cevada.
  • Colocar a massa do bolo no tabuleiro e espalhar uniformemente.
  • Esmagar o caramelo e misturar com o streusel. Polvilhar metade sobre a massa do bolo.
  • Formar torrões com o restante streusel e espalhar, também, sobre a massa.
  • Levar ao forno durante 20-30 min. Deixar arrefecer durante 10 min antes de desenformar e cortar em fatias.

Bom apetite!!

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Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

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AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores –
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”