Nascer todas as Manhãs

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Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga, in “Diário (1982)”

Escondido na Brisa

É interessante reparar como as folhas das árvores e mesmo as mais pequeninas flores se balançam alegremente com a mais discreta brisa, aquela que muitas vezes nos passa despercebida. Na maior parte das vezes, esquecemo-nos de saborear este leve sopro, do conforto que é baloiçar ao seu ritmo, e esperamos pelos ventos mais fortes, os que já incomodam, para nos fazermos conscientes da sua presença.

Gosto de fazer o exercício matinal de olhar para o céu e, no caminho para o trabalho, procurar sempre maravilhar-me pela beleza que se esconde em tudo aquilo que me rodeia, sobretudo naqueles dias em que sinto o coração mais delicado. É fácil apreciar a sublimidade divina nos dias em que a alegria do sol reveste tudo, mas também é possível procurá-la na expressividade dos céus cinzentos de chuva, que tantas vezes correspondem a um espelho daquilo que se vai passando no nosso interior. Gosto de olhar para a natureza e ver como vai respondendo e se vai adaptando às mudanças do tempo, como incentivo a que também eu me vá ajustando com essa suave harmonia ao passar do tempo e das fases na minha vida. Gosto de nas noites mais profundas poder descobrir um céu pontuado por infinitas estrelas ou uma lua cheia gigante que engole toda a escuridão. Gosto de correr ao ar livre ao fim do dia, da possibilidade que isso me abre de me deixar envolver pelo calor do sol e de me fortalecer com o abraço do vento.

Há sempre problemas para resolver, momentos de tristeza para digerir e momentos em que simplesmente tudo parece sair completamente ao lado daquilo que se projecta. Mas a serenidade que estes breves pontos de gratidão me permitem encontrar ajuda a que a recuperação dessas alturas de maior desolação seja mais tranquila. No fim de contas, aquilo que todos no fundo desejamos é sermos felizes e o fundamental é ir fazendo as escolhas que mais nos vão aproximando disso, com a plena consciência que é uma estrada tortuosa e não um caminho fácil.

“Começa por fazer o que é necessário, depois o que é possível e de repente estarás a fazer o impossível”

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Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

E. E. Cummings, in “livrodepoemas”
Tradução de Cecília Rego Pinheiro

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It’s all so quiet… …

🎶🎶🎶

Os amanheceres de Outono são lentos e pacíficos. No céu as tonalidades escuras calmamente são substituídas por cores mais quentes, mas serenas. Os raios de sol rompem a neblina matinal, difundindo-se em todas as direcções. A névoa envolve e aconchega o solo. A aragem arrasta consigo folhas douradas de árvores já mais fatigadas. Um bando de pássaros serpenteia pelo firmamento, distante a todo o reboliço que se começa a montar cá em baixo. E eu deixo-me inundar por uma imperativa sensação de tranquilidade.

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Queques de Morango e Côco

Penso que os queques devem ter sido a minha primeira paixão na cozinha. Durante algum tempo guardei inúmeras receitas, experimentei algumas, salivei por outras. No entanto, como em tudo, aquilo que é excessivo começa a enjoar e facilmente passa para o esquecimento. E foi mesmo isso que aconteceu com os queques. Voltaram agora através do novo (e fantástico) livro da Donna Hay e do desejo de preparar algo rápido e saboroso para um lanche de fim-de-semana. Digamos que foi, sem dúvida, um bom regresso. Garanto que não vou entrar novamente na mesma loucura de me focar apenas nestes pequenos bolinhos, agora aquilo que mais me dá prazer na cozinha é mesmo a diversidade.

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Queques de Morango e Côco

Inspiração: Donna Hay, The New Classics

Ingredientes: 300g farinha peneirada, 2 c. chá fermento em pó, 165g açúcar, 1 chávena iogurte, 2 ovos, raspa de 1 limão, 1 c. chá extracto de baunilha, 80mL óleo, 150g morangos em cubos, 50g côco ralado

  • Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar um tabuleiro para 12 queques com papel vegetal.
  • Bater a farinha com o fermento e o açúcar.
  • À parte misturar o iogurte, ovos, raspa de limão, baunilha e óleo.
  • Juntar a mistura de iogurte à de farinha e combinar.
  • Incorporar os morangos e o côco.
  • Dividir a massa pelas 12 formas . Polvilhar com mais algum côco.
  • Levar ao forno durante cerca de 20min.

Bom apetite!!

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