Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

E. E. Cummings, in “livrodepoemas”
Tradução de Cecília Rego Pinheiro

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Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

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AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores –
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”

Recomeça…

Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

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Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

E. E. Cummings, in “livrodepoemas”
Tradução de Cecília Rego Pinheiro

Tarte de Chocolate

(…) Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. (…)

Tabacaria, Álvaro de Campos

Uma tarte para os verdadeiros amantes de chocolate…

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Base: 2 c. sopa açúcar, 60 g manteiga derretida, 250 g bolachas trituradas (usei bolachas de chocolate e menta)

Pré-aquecer o forno a 180ºC e preparar uma forma de tarte.

Combinar os ingredientes secos. Juntar amanteiga. Colocar na forma e pressionar, fazendo base. Levar ao forno durante 10 min. Deixar arrefecer totalmente.

Recheio de Chocolate: 3 c. sopa de açúcar, 1,5 chávena leite, 200 mL natas, 400 g chocolate escuro (72%), 2 ovos

Levar o leite, natas e açúcar a lume médio, mexer frequentemente. Quando ferver, retirar do calor e adicionar o chocolate. Juntar os ovos, 1 a 1, batendo vigorosamente.

Colocar sobre a base. Levar ao forno durante cerca de 15 min, até o centro estar pouco firme. Deixar arrefecer completamente.

Bom Apetite!

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Domingo, 23 de Julho de 2013

A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor , somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa…

Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo a nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.

Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio da morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe

de súbito surgido à flor dos limos.
E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.

David Mourão-Ferreira