Toda a esperança num ponto de Luz

Este ano tive o privilégio de poder contemplar diferentes céus estrelados: 6 países, 3 continentes, 2 oceanos… Sempre que me permiti admirar a escuridão da noite, acabei por me deixar preencher pela consciência da pequenez dos meus problemas, das minhas dúvidas ou ansiedades, em contraste com a grandiosidade do infinito dos céus. Aperceber-me que para o céu também eu sou um ínfimo ponto de luz, mas que mesmo assim sou parte integrante deste cosmos, afasta-me dos pensamentos negativos centrados nos meus problemas e preenche-me de uma gratidão imensa por tudo aquilo que sou e tenho.

Acabei a semana passada a desafiar-me em algo que nunca tinha experimentado, um trail nocturno. A corrida tem-me ajudado a exercitar o trabalho por objectivos: decido que vou correr x km e, portanto, independentemente das dificuldades que possa sentir, se traço isso como objectivo, vou ter que o alcançar, desistir não é opção. Tive a sorte de ser noite e da escuridão das montanhas pôr em destaque um céu deslumbrante. E, por isso, esta “simples” corrida acabou por se transformar não só na exploração dos limites da minha resistência, mas também num exercício de acção de graças. Para mim, olhar para o céu e admirar cada ponto luminoso é lembrar-me da presença constante de Alguém bem maior que eu e é encher-me da certeza que tudo aquilo que está para vir certamente é bom. E, com esta consciência, não há limites àquilo que eu possa alcançar.

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Conta as Estrelas do Céu

Na segunda-feira aproveitei uma longa conversa ao telefone para me deitar no chão do quarto com a cabeça para a varanda, a olhar para o céu. Numa primeira olhadela apenas se evidenciaram as luzes dos aviões. Mas tinha tempo, até estava uma noite confortável, com um vento morno, por isso, deixei-me estar a contemplar mais um pouco. Com o habituar dos olhos à escuridão, foi-se tornando evidente que, mesmo num ambiente repleto de poluição luminosa, consigo encontrar um céu estrelado. A única condição necessária para isso é de parar e dar tempo para que o aparente invisível se torne visível aos meus olhos. É impossível não continuar com um paralelismo para a minha vida e pensar na imensidão de coisas que me passam despercebidas, só porque vou demasiado rápido e me descuido na minha capacidade de admirar o que me rodeia. Ou nas inúmeras vezes que me deixo começar afundar numa espiral de negativismo e me esqueço de ir à procura destes pequenos e subtis pontos luminosos. Olhar para o céu e procurar estrelas ajuda a sonhar com a liberdade total de um pássaro, sem pensar em problemas nem contratempos, com toda a esperança e confiança do mundo.

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Nascer todas as Manhãs

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Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga, in “Diário (1982)”

Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

E. E. Cummings, in “livrodepoemas”
Tradução de Cecília Rego Pinheiro

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It’s all so quiet… …

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Os amanheceres de Outono são lentos e pacíficos. No céu as tonalidades escuras calmamente são substituídas por cores mais quentes, mas serenas. Os raios de sol rompem a neblina matinal, difundindo-se em todas as direcções. A névoa envolve e aconchega o solo. A aragem arrasta consigo folhas douradas de árvores já mais fatigadas. Um bando de pássaros serpenteia pelo firmamento, distante a todo o reboliço que se começa a montar cá em baixo. E eu deixo-me inundar por uma imperativa sensação de tranquilidade.

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Bolo de Cenoura com Amêndoas Caramelizadas

Se tivesse que escolher um único livro de cozinha, provavelmente seria o The New Classics da Donna Hay. A composição fotográfica está fantástica, não há receita que não queira experimentar. Para além disso, à semelhança dos restantes livros desta autora, são maioritariamente pratos com uma lista de ingrdientes não muito extensa e cuja elaboração não envolve mil-e-um passos, o que se torna bastante atrativo no dia-a-dia. Como, neste momento, parar de trabalhar um ano para fazer todas as receitas não é algo muito concretizável (infelizmente), decidi começar pelo bolo de cenoura, um dos meus favoritos. A cenoura dá uma humidade equilibrada aos bolos, sem se fazer sobressair no sabor. A cobertura fofa com um toque de limão é o complemento perfeito para tornar esta receita mais leve e para fazer uma transição harmoniosa entre a “conforto food” do inverno e os sabores delicados do verão. Sem dúvida, uma receita fantástica para estes dias.

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Bolo de Cenoura com Amêndoas Caramelizadas

Donna Hay, The New Classics

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Bolo: 300g farinha, 1 c. chá fermento, 1 c. chá canela, 1 c. chá gengibre, 1/2 c. chá noz moscada, 4 ovos, 100 mL óleo de girassol, 1 c. chá extracto baunilha, 360g cenoura ralada, 100g sultanas, 100g amêndoas em palitos

Cobertura: 50g manteiga, 250g queijo creme, 1 cháv. açúcar de pasteleiro, 1 c. sopa sumo de limão

Amêndoas caramelizadas: 120g amêndoas, 1/2 cháv. açúcar, 1 c. sopa água

  • Começar pelas amêndoas. Colocar os ingredientes numa frigideira anti-aderente, combinar e levar a lume médio. Misturar ocasionalmente, até caramelizar. Colocar numa folha de papel vegetal, deixar arrefecer e partir grosseiramente.
  • Pré-aquecer o forno a 180ºC e forrar uma forma com papel vegetal.
  • Combinar a farinha, fermento, canela, gengibre, noz moscada e açúcar.
  • À parte, bater os ovos com o óleo e baunilha. Juntar a mistura de farinha e misturar até estar bem combinado. Adicionar a cenoura, as sultanas e as amêndoas.
  • Verter a massa na forma e levar ao forno durante 30-40 min. Deixar arrefecer 5 min antes de desenformar.
  • Para a cobertura, bater a manteiga com o queijo até ficar uma mistura cremosa. Juntar o açúcar e bater novamente até ficar fofo. Adicionar o sumo de limão e bater mais 2 min.
  • Espalhar a cobertura sobre o bolo completamente frio e colocar no topo as amêndoas caramelizadas.

Bom apetite!!

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