Tempo, tempo, tempo

DSC_0033

Guardo com algum saudosismo a memória das nossas férias passadas em família pela Europa fora. As saídas de madrugada, ainda bem antes do sol se levantar, mas com a energia de quem tinha dormido uma bela noite de sono. As bandas sonoras que nos entretiam ao longo de muitas horas seguidas de carro. O explorar descomplicado dos limites das nossas zonas de conforto. O caminhar em direcção ao desconhecido, sem planos traçados, nem horários rígidos, com a total liberdade de ir desvendando o caminho. As visitas a todas as igrejas que apareciam pelo caminho, sempre a agradecer pelas oportunidades extraordinárias com que éramos presenteadas. As paisagens fantásticas que os nossos pais nos ensinaram a admirar. O viver o presente no tempo certo, sem estar com preocupações projectadas para o futuro, nem a remoer um passado que já não é possível mudar. E, sobretudo, a certeza e o conforto de ter ali comigo e a viver aquele presente quatro das pessoas mais importantes da minha vida. O tempo que os meus pais investiram nestes momentos é das maiores lições e das maiores dádivas que alguma vez podiam ter dado.

A vida foi-me ensinando que o tempo que passamos com os outros, não é um “gasto”, mas sim um investimento e a memória destes momentos reforça esta ideia. Só é possível cimentar relações conhecendo a outra pessoa e, para isso, temos que nos dispor a utilizar o nosso tempo para tal. Num mundo em que, muitas vezes, parece que não somos mais que pequenas formiguinhas a correr de um lado para o outro atarefadas, oferecer o nosso tempo a alguém é uma dádiva preciosa e um exercício de altruísmo.  A verdade é que, na vida de relação, sempre que nos arriscamos a semear, colhemos algo. Pode não ser no tempo que esperamos, nem na forma como pensamos. O mais importante acaba por ser ir fazendo caminho e aproveitando estes momentos e estas companhias que ele nos oferece, explorando ao máximo o infinito temporal que se esconde nestes gerúndios temporais.

“Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar”

{Rodrigo Amarante}

Anúncios

Setembro

Mais do que Janeiro, para mim Setembro é que é o mês de fazer novas promessas. O Verão permite  reorganizar a cabeça e estabelecer novas prioridades, na tentativa de compreender o que é que falta para me sentir cada vez mais completa. É tempo de re-ler o ano anterior, juntar todos os pontos em que me senti feliz, ser-lhes fiel e dar-lhes mais tempo. Também os pontos em que a felicidade esteve de pernas para o ar foram analisados e permitem-me reconhecer aquilo que eu quero e preciso de mudar. Podia-me distrair, fazendo uma lista com 1001 pontos, mas como já me conheço relativamente bem prefiro comprometer-me apenas a querer ser feliz todos os dias e a encontrar sempre cada dia pelo menos um motivo para sorrir. Tudo o resto virá por acréscimo e quero acreditar que será muito bom. Claro que há no ar uma mistura de esperança e receio, mas penso que isso é sobretudo porque por vezes me prendo demasiado com a realidade do nosso mundo.  Assim, acrescento ainda como objectivo sonhar alto, cada vez mais alto.

 DSCF2710